Por que democracias levam a estados permanentemente crescentes?

Eduardo Gindri

Todos nós já nos encontramos, ao menos algumas vezes em nossas vidas, escutando amigos ou parentes reclamarem sobre a apatia eleitoral. Se ao menos eleitores estudassem adequadamente políticas e políticos, tudo seria melhor, ouvimos. Infelizmente, os incentivos para isso simplesmente não existem.

Anthony Downs batizou este fenômeno de “Ignorância Racional’, e é especialmente significativo em decisões relativas ao governo, ou “Escolha Pública”. Análise econômica nos mostra que o valor do tempo que indivíduos gastam se informando devem exceder seu custo de oportunidade. Leve isso em consideração quando contemplando a probabilidade lúdica de um único participante afetar uma eleição inteira. Existe pouquíssima vantagem individual que justifique qualquer esforço significativo de se informar para votar na solução “certa”.

Portanto, ignorância é uma alternativa perfeitamente razoável e deveria ser um resultado completamente esperado da democracia. Afinal, as perdas individuais de votar inadequadamente são simplesmente baixas demais para importar muito, se importarem de alguma forma. Avaliação apropriada simplesmente não faz tanto sentido econômico para agentes políticos quanto para os do mercado.

Mas se as pessoas estão escolhendo ignorantemente, as minorias apropriadamente adequadas não empurrariam a balança para políticas boas e efetivas? E se, como acredito, boa política significa um governo menos intrusivo, por que o oposto sempre parece acontecer?

A Vantagem do Estatismo

Uma distinção importante deve ser feita aqui: o problema em questão não é uma falta de conhecimento admitida. Senão, o próprio fato de que votos não são aleatórios refutariam completamente a teoria. Neste caso, no entanto, ignorância é saber as coisas erradas.

Isso é explicado pelo Efeito Dunning-Kruger: iniciantes em qualquer tema tendem a superestimar suas próprias capacidades. Como os psicólogos por trás do estudo sucintamente reportaram: “dificuldades em reconhecer incompetências pessoais levam a autoavaliações infladas”. 

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Logo, não podemos esperar que indivíduos politicamente ignorantes remedeiem essa situação, visto que é improvável que eles estejam cientes de se encontrarem nela em primeiro lugar.

Ainda assim, se ignorância é o componente principal aqui, as pessoas deveriam ser tão ingenuamente céticas em relação ao planejamento central quanto a favor dele. O mesmo vale para o Estado de Bem-Estar, a guerra contra as drogas ou qualquer outra ideia fervorosamente apoiada pela maioria dos cidadãos desapercebidamente desinformados.

Podemos então concluir que provavelmente existam fatores que colocam noções pró-estado em uma posição vantajosa no começo da curva de aprendizado em muitas questões sociais.

Paleo-Economia

Nós humanos somos muito intuitivos. Infelizmente, nossas intuições nem sempre são úteis dentro do funcionamento de sociedades modernas. Sejam nossas preferências alimentares, percepções em relacionamentos ou imaginação matemática, é frequentemente observado o quão difícil é alcançar resultados desejáveis sem pensamento lógico disciplinado, efetivamente combatendo nosso homem da caverna interno.

Isso também vale para a economia. Nossos sentimentos primais quanto à justiça social evoluíram durante a Era Paleolítica, quando dependíamos exclusivamente em caçar e colher. Se não há produção de recursos, mas apenas mera extração, faz sentido nos preocuparmos majoritariamente em como a distribuição acontece. Podemos entender então por que a maioria das pessoas gravitaria em torno destes princípios básicos. Isto é, em poucas palavras, marxismo, o qual requisita que o mercado funcione como um jogo de soma-zero. 

Infelizmente, quando aplicamos esses princípios para política econômica moderna, as consequências surgem ao nosso redor: o desincentivo em produção casado pela redistribuição forçada evita que a riqueza seja criada por todo o globo, apesar da maioria das pessoas, como esperaríamos, não ter consciência ou gravemente subestimar este problema crucial. É a velha batalha Jungiana de Racionalistas versus Sentimentais. 

Democratismo

Ademais, uma pré-condição básica de qualquer governo é que cidadãos precisam acreditar em sua eficácia. Seja a santidade de monarcas divinos, fascistas bem-intencionados ou a lei do povo, tais arranjos só podem existir enquanto a população os suporta – muitas vezes religiosamente. 

Sob tais circunstâncias, é fácil perceber por quê comunidades prefeririam ação estatal ao invés de inação. Afinal, este é precisamente o dever teórico do âmbito público: agir quando problemas falham em serem resolvidos no mercado.

Considere então crises financeiras como a de 2008. A Teoria Austríaca do Ciclo Econômico afirma que juros artificialmente baixos causaram os investimentos ruins que levaram à quebra. Imagine, então, se afastar-se e permitir que o mercado realoque tais recursos se tornaria a opinião mais popular. Pelo contrário, a população ativamente escolheu – através de aprovação governamental – desperdiçar bilhões de reais em estímulos, empréstimos e gastos massivos. Keynes vence; todos nós perdemos. 

Mais uma vez, observamos os resultados: regulação colossal, uma miríade de setores públicos, e progresso consequentemente diminuto. Uma inspeção profunda de tais propostas, no entanto, deveria nos levar a opiniões exatamente antagonistas – ou, no mínimo, muito cuidado.

A Irracionalidade Racional de Bryan Caplan

Calcificação ocorre em qualquer crença de longo termo. Após ela ocorrer, se torna cada vez mais difícil superar preconceitos. Neste ponto, adaptar-se a novas informações não apenas não vale a pena, mas causa legítima desutilidade de curto prazo para indivíduos. Isto ocorre por pressões tanto internas quanto externas.

Afinal, o aprendizado é um processo contínuo de destruição criativa interior. Assim sendo, ele é imensamente benéfico, mas muito doloroso no início. É compreensível, então, o motivo pelo qual as pessoas teriam dificuldades em aceitar novas evidências que contradizem suas convicções prévias: é apenas lógico evitar desconforto.

Adicionalmente, se sua família e outros próximos também acreditam o que que quer que contradiga os novos dados assimilados, eles podem agir como mantedores de quaisquer crenças mantidas, não apenas em reverberações dentro de uma câmara de eco ideológica, mas também ativamente rejeitando mudanças em seus princípios. Perder amigos é difícil, e tentar o prevenir é perfeitamente sensato.

Esse problema final com o raciocínio pode efetivamente consolidar indivíduos no início do eixo da competência, causando com que estejam não apenas não inclinados a evoluir intelectualmente, mas também abertamente contra essa possibilidade.

Escolha Privada

Ignorância Racional é certamente um ponto para apoiadores da privatização da legislação. A Eterna Vigilância simplesmente não é motivação suficiente. Cada vez mais parece que a Escolha Pública é a utopia máxima.

No entanto, fãs acirrados do processo democrático deveriam compor a vanguarda em entender esses problemas e buscar minimizar suas consequências. Infelizmente, ao invés de um meio para decisões coletivas, a democracia é hoje majoritariamente tratada como um fim em si próprio – especialmente por aqueles que tiveram sucesso em eleger seus representantes atuais.

Compreensivelmente, criticar democracia pode ser assustador. Historicamente, alternativas foram absurdamente trágicas. No entanto, ignorar suas muitas falhas não fará nenhum bem. Não podemos nos arriscar com poderes coletivos ilimitados ou na possibilidade de populistas explorarem suas falhas – o que aparentemente é um problema comum atualmente.

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