Quando ousamos expressar que foi graças ao capitalismo que atingimos a melhor era da humanidade, logo nos deparamos com os incansáveis defensores de intervenção estatal desmedida que, sem pensar duas vezes, levantam a bandeira da desigualdade social como trunfopara contrapor a liberdade econômica. Entretanto, essa é uma análise fundamentada na paixão e não na realidade.

Inicialmente, é importante compreender que a desigualdade é um fenômeno inerente a todo e qualquer sistema econômico que adote o livre mercado. Isto porque, a diferença de renda entre os indivíduos de uma determinada população é reflexo claro de uma sociedade livre1. Não é preciso dizer que a pobreza está longe de ser positiva, todavia, ela não pode ser observada de modo isolado. A análise da desigualdade deve examinar a evolução da humanidade e suas diferentes formas de organização econômica no tempo, a fim de entendermos por que o capitalismo convive com a desigualdade e quais são suas reais consequências para a população.

Os índices de desigualdade econômica começaram a se acirrar durante o marco da Revolução Industrial. No entanto, não podemos esquecer que foi a partir desse episódio histórico que a sociedade passou a vivenciar uma completa transformação no modo de produção e consumo de bens e serviços, testemunhando o exponencial aumento da renda per capita de toda população mundial2. Há duzentos anos, em torno de 95% da humanidade vivia na pobreza. A mudança dessa condição ocorreu somente com a gradual implementação da liberdade econômica em escala global, o que levou a renda per capita dos indivíduos a aumentar, e, consequentemente, os níveis de pobreza mundial a reduzirem.

De acordo com pesquisa publicada no Our World In Data3 cerca de 90% da civilização abandou o estado de miséria a partir de 1760. Logo, o que se viu com o emprego do capitalismo foi o florescimento do comércio, a evolução das relações de mercado e a prosperidade da humanidade. O livre mercado proporcionou benesses imensuráveis para toda a população do globo, iniciando com os avanços industriais, inovações tecnológicas, gradativo aumento da expectativa de vida4 e redução dos índices de mortalidade infantil5. Curiosamente, esses dados são constantemente omitidos. O nível de conforto que atingimos atualmente se dá pela ordem espontânea do livre mercado.

A desigualdade está longe de ser um fator essencialmente maléfico para a parcela pobre da população. Em verdade, ela é resultado direto da evolução da liberdade econômica e do processo de diminuição da pobreza em patamares mundiais. Como bem sinaliza Ludwig Von Mises: “todos os que rejeitam o capitalismo por considerá-lo moralmente um sistema injusto estão enganados ao não compreenderem o que é capital e quais os benefícios obtidos do seu emprego.”6

Sabemos que situações de demasiada pobreza tendem a desrespeitar direitos fundamentais de qualquer indivíduo, entretanto, somente a organização de livre mercado, que valoriza o capital e impulsiona a concorrência, proporciona às pessoas que se encontram em circunstâncias de vulnerabilidade alçar níveis superiores de renda. O capitalismo, exatamente por ser propulsor das dinâmicas de mercado, não é e nunca será um sistema social engessado, muito pelo contrário.  

Logo, “tanto a teoria quanto a experiência sugerem que o crescimento econômico é a solução mais segura e duradoura para a pobreza.”7 Ora, se o modo de produção capitalista está intimamente ligado à melhora no bem-estar da sociedade, principalmente da população mais pobre, devemos renunciá-lo por permitir que alguns acumulem mais capital que outros? Devemos negar todos os benefícios da liberdade econômica sob a justificativa de que o capitalismo gera desigualdade social?

É imprescindível frisar que a doutrina liberal tutela, incansavelmente, o direito à liberdade, à propriedade, à vida e à paz8. Desse modo, como pode o sistema capitalista corromper a dignidade de seus indivíduos se é a única forma de organização econômica que promove ganhos à civilização nessas áreas? Como pode tal regime desrespeitar os direitos fundamentais do homem se concede a eles liberdade? Como pode o capitalismo desprezar esses direitos se é o único regime que respeita e defende a autonomia privada e o livro arbítrio de seus cidadãos?

            Ao analisarmos civilizações que não estão submetidas à liberdade econômica, verifica-se um desrespeito contumaz às liberdades individuais. Em um modus operandi inteiramente controlado pela máquina estatal, cuja defesa da igualdade se dá às custas de qualquer outro ideal, não existe liberdade e, portanto, a população está fadada à servidão, como bem alertado por Friedrich Hayek. Não é difícil compreender essa equação, basta olhar Cuba e Venezuela, por exemplo, países em que a população vive em condições deploráveis.

            Onde impera uma dinâmica de mercado diversa da liberdade econômica, há uma tendência ao agigantamento progressivo do Estado e, consequentemente, de tirania, corrupção e governos ditatoriais. Perdem-se a liberdade de expressão, o livre arbítrio, a evolução econômica e tecnológica, a possibilidade de ascensão econômica por parte da população mais pobre, para citar algumas das coisas que temos como mais importantes em nossas sociedades modernas.

A dignidade do homem está sendo respeitada em tais regimes? Evidentemente não. Por essas razões, mesmo havendo desigualdade de renda na organização de mercado capitalista, é preferível conviver com ela do que com qualquer outro sistema econômico adotado na humanidade. Todos vivenciados até então falharam, estão falhando ou falharão – uma vez que não respeitam a própria natureza desigual do homem. regimes de subistência, socialistas e comunistas não foram capazes de prover à população condições mínimas de qualidade de vida.

Ainda que a promessa de dinâmicas coletivistas seja o paraíso, tudo que conseguem entregar é um inferno: todos iguais, levando uma vida igualmente miserável. Não se verifica outro sistema econômico vivenciado pela humanidade que garanta mais os direitos fundamentais de seus indivíduos do que o capitalismo.


1 Consultar: https://www.youtube.com/watch?v=8nlASqNH_4o

2 https://ourworldindata.org/grapher/average-real-gdp-per-capita-across-countries-and-regions

3 https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2712

4 Nas primeiras décadas do século XIX a esperança de vida na Europa Ocidental rondava os 33 anos e quase chegou aos 80, em 2000. A população mundial ficou, em média, oito centímetros mais alta. E o planeta, que era habitado apenas por mil milhões de pessoas, viu esse número multiplicar-se por sete. A percentagem de pessoas alfabetizadas passou de 20% para 80%. Consultar: https://acervo.publico.pt/multimedia/infografia/a-vida-desde-1820
https://www.economist.com/graphic-detail/2013/01/08/the-age-of-man

5 https://www.saude.gov.br/images/pdf/2018/setembro/13/CIT-Apresentacao-SVS-V9A.pdf

6 Consultar: A mentalidade anticapitalista, por Ludwig Von Mises.

7 Angus Deaton, Nobel de economia em 2015.

8 Consultar: Liberalismo, por Ludwig Von Mises.

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