Quem acompanha minimamente a política Brasileira sabe que polarização é a palavra que define o presente cenário. Entretanto, pode não saber que isso é fruto de anos de semeação ideológica que promove passivamente o ódio e vingança, e se esconde atrás de falsas virtudes e palavras como igualdade e justiça. Este fenômeno já foi descrito por Nietzsche no ano de 1881, em seu texto “das tarântulas”, que ilustrará este artigo.  

Não é de se surpreender que políticos façam de tudo para angariar votos durante a sua campanha e carreira. Todavia, há discursos que prejudicam a sociedade, pois rotula os indivíduos, dividindo a população em diferentes grupos e jogando uns contra os outros, gerando conflito e instigando sentimentos de ódio e rancor. Há exemplos, tanto de esquerda, quanto de direita, que semeiam ódio e instigam a vingança em forma de ideologia. Como a ditadura socialista de Fidel Castro, que tinha como principal característica o anti-imperialismo e no outro lado do espectro político temos as ditaduras militares explicitamente anticomunistas. Evidentemente isto é nocivo, pois, além de gerar conflito, corrompe a política, uma vez que passa de assuntos públicos, isto é, que dizem respeito a todos os cidadãos, para o campo das paixões de indivíduos e grupos específicos, tornando-se um assunto passional.

Após a política se tornar passional e a razão ser posta de lado, advém inúmeros problemas, dentre eles o principal é quem terá o poder. Naturalmente em um cenário que a razão não é ouvida, o discurso que tende a obter mais votos é o que agrada o maior número de pessoas. Nesse contexto surgem os defensores da igualdade e justiça, utópicos que usam e alimentam os sentimentos de rancor, inveja e ódio presentes na sociedade, jogando o pobre contra o rico, trabalhadores contra empregadores, classificando quem é bom e quem é mau, tendo como único critério sua ideologia que julga-se a justiça absoluta, mas não passa de uma vingança coletiva contra determinados indivíduos. 

O comportamento desses defensores origina-se de muitos fatores ideológicos, mas vou me ater a dois que julgo se destacar: ressentimento e poder – deixo claro que não estou fazendo uma generalização, mas sim uma reflexão. Malgrado esses defensores se apresentem como virtuosos, justos e que visam à igualdade, suas intenções e ideais não bastam, o grande exemplo disso é a famosa Revolução Russa e o discurso de Lenin nas teses de abril¹.

Nesse contexto, vale lembrar as célebres palavras do líder bolchevique, que o ajudaram a chegar ao poder “paz, terra e pão”. A grande ironia sobre este fato histórico é que os sovietes quando chegaram no poder, pouco tempo depois, entraram em guerra, tomaram as terras para o Estado, assim, não dando-as ao povo e tiveram elevados números de pessoas mortas pela fome. Este é mais um exemplo que comprova que um sonho utópico pode virar um pesadelo sangrento. 

É comum, também, esses defensores da igualdade e justiça se denominem defensores da liberdade, porém ao se examinar cuidadosamente notamos que geralmente se referem tão somente à sexualidade e drogas ilícitas, o que não passa de mera compensação na tentativa de suprir outras liberdades tiradas. Uma máxima sobre esse mecanismo foi feita no prefácio do livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, onde descreve esse mecanismo compensatório nas seguintes palavras “À medida que diminui a liberdade política e econômica, a liberdade sexual tende a aumentar como compensação. […] Em conjunção com essa liberdade de sonhar sob a influência das drogas, do cinema e do rádio, ela ajudará a reconciliar os súditos com a servidão que é seu destino”.

O pensamento do escritor inglês, nos ensina uma valiosa lição, de que a liberdade se constrói, sendo, portanto, impossível existir meia liberdade, pois, se os direitos fundamentais, aqui entendidos como os direitos políticos e econômicos, não forem assegurados, os demais tampouco o serão.

Há um aforismo de Nietzsche, que ilustra o processo descrito no presente texto, chamado “ Das tarântulas”, do livro “Assim falou Zaratustra”, onde o filósofo alemão faz uma severa crítica aos que pregam a igualdade e virtudes, para ocultar seus reais intentos, a busca por poder, a vingança, o ressentimento e a tirania. E para isso ele usa as seguintes palavras “[…] ó pregadores da igualdade! Sois tarântulas para mim e ocultos sedentos de vingança!”, e continua “Ó pregadores da igualdade, a demência tirânica da impotência clama assim em vós por “igualdade”: vossos mais secretos desejos tirânicos ocultam-se assim em palavras virtuosas!”. 

Sendo assim, afirmo o Brasil está cheio de tarântulas, nossa política foi tomada por falsos messias que se dizem bons, belos, justos e que apenas buscam a igualdade ou justiça, no entanto agem visando seus interesses pessoais, prejudicando a ti, a mim e a toda a sociedade. Para acabar com isso, ou pelo menos reduzir, ressalta-se que a única arma de que dispomos é o questionar. Apenas com ele podemos nos curar do veneno e cegueira que essas tarântulas no injetam diariamente, fazendo com que fiquemos cegos e passionais demais para encarar a realidade como ela é.    


¹ Documento político-teórico de Vladimir Lenin, contendo uma série de diretivas, escritas durante seu exilo, sobre os rumos da revolução e o papel dos Bolcheviques nela.

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