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A tragédia do rio grande do sul

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Natureza Humana e as Catástrofes

As chuvas no final do mês de abril e início de maio fez com que todo o estado do Rio Grande do Sul mudasse drasticamente. Cidades inteiras destruídas, diversas famílias ilhadas, desabrigados e vidas estraçalhadas. As chuvas demonstraram o quão frágil e miserável é a vida humana, comparada com a sua força e poder de destruição. Ela que tanto nos dá e fornece, também pode nos tirar e destruir.

A natureza não podemos controlar. O ser humano, em sua constante evolução, diferente de outros animais, teve a perspicácia e inteligência de se adaptar por onde foi passando e se localizando. O momento atual vivido pelo Rio Grande do Sul não é diferente. As águas subiram de uma maneira que ninguém estava preparado. Mas, o ser humano, como um ser que se adapta no meio de adversidades, rapidamente se adequou no meio da situação.

Esta adaptação, que evoluiu conforme a humanidade foi se desenvolvendo, levou até chegar às primeiras formas de civilização, em que os seres humanos, antes nômades, agora se tornaram sedentários e se fixaram em um pedaço de terra, onde cada indivíduo desenvolviam habilidades únicas, ocorrendo trocas mútuas em que ambos os indivíduos se ajudavam.

Nesta sistemática, onde cada indivíduo cumpre um papel e coopera com o seu igual, não foi diferente com as enchentes. A adaptação, no meio do caos, fez com que cada um, pelo dever moral em ajudar, arrecadasse doações e, aqueles com mais forças e recursos, ajudar nos resgates dos atingidos. Antes mesmo das autoridades governamentais, as próprias pessoas comuns foram as primeiras a socorrer os seus iguais.

Nós desenvolvemos, com a evolução da raça humana, a racionalidade e a consciência. Somos os únicos animais que controlam os seus instintos e necessidades por instituir o certo e errado em relação ao igual. Assim foi o que moveu os cidadãos do Brasil inteiro, vendo pelas ruas ou noticiários o caos instaurado e a tristeza lançada em milhares de pessoas. Com as suas consciências, perceberam que estar inerte não seria o correto no meio de tanto sofrimento.

Porém, mesmo com a evolução humana, temos muitos vícios, advindos da natureza animal, aquele lado em que busca o prazer em satisfazer os seus instintos sem escrúpulos. Infelizmente, visualizamos a mesma situação nas enchentes, apesar de todo o sofrimento e dor, diversas pessoas olharam isto como uma oportunidade para saquear lojas, casas e, até mesmo, roubar os barcos dos socorristas.

Devemos lembrar que, no mundo animal, a natureza tem um equilíbrio, sendo que os animais agem de acordo com a sua função na cadeia alimentar e sua subsistência. Mas o ser humano age não apenas pelas suas necessidades, mas pelo prazer. Por isso, os humanos primitivos matavam e saqueavam por recursos, territórios e poder. Não havia a percepção de propriedade privada, onde cada um teria o seu espaço respeitado e a sua integridade garantida. Observamos ainda, muito presente, esses resquícios primitivos no ser humano moderno.

Percebemos este resquício primitivo na violência das facções para estabelecer o seu poder. Em Canoas, nos dias em que os diques se romperam e a água subiu subitamente, ao invés de todos se sensibilizarem, ocorreu o contrário. As facções, na tentativa de manter o seu território e força, invadiam os prédios e residências acima da água para poderem guardar as suas drogas. Diversos focos de conflitos entre os grupos e até mesmo com as forças policiais. Nas ruas alagadas, cessaram-se os resgates, pois estavam assaltando e roubando os barcos. À noite, quem estivesse na rua era alvejado.

As civilizações se desenvolveram em pequenas comunidades, que eram constantemente atacadas por grupos nômades que as pilhavam. Para se proteger, a população se fortificou em vilas e, nas batalhas, destacavam-se os combatentes mais fortes e inteligentes que eram proclamados governantes. Assim surgem os primórdios do Estado. Uma tentativa de atribuir a alguém a tarefa de manter a segurança de todos, em troca de subordinação; o Estado desenvolveu-se ao longo da história, sempre nesta perspectiva de troca por parte de sua liberdade por proteção. Porém, isso eleva o poder e o controle sobre um pequeno grupo em detrimento dos restantes, criando uma desproporção de forças.

No entanto, esta relação de poder entre governantes e governados chegou a ápices alcançados em crises, como demonstra a história, e, não poucas vezes, a sua estrutura foi derrubada por revoltas e revoluções pelos populares, os indivíduos. Como a história se repete, o aparato estatal como um todo demonstrou a incapacidade de gerir em meio a crise e lentidão para um primeiro atendimento. Em Bento Gonçalves, na serra, o prefeito desabafou pela falta de helicóptero com equipamento necessário para resgatar as pessoas isoladas e em área de risco. A ANTT multou caminhões que traziam donativos. Fato que, em um primeiro momento, foi considerado fake news, mas, posteriormente, a própria agência confirmou e pediu desculpas. Quem realmente conduziu o caos para que se chegasse a uma ordem de resgates e estrutura de crise foi a população comum que viu o estado, o qual devia lhes dar a segurança, esmorecer.

O que podemos levar de aprendizado nesta tragédia? Se com todos os fatores que tivessem acontecido, não ocorresse a comoção em cada indivíduo, em cada ser humano, não teríamos toda esta movimentação. Todos moveram-se para sair da inércia do desespero para o movimento da esperança, no sentimento de superar os desafios e aflições com o único objetivo que cada indivíduo busca em toda a sua existência: a própria felicidade. A felicidade não é alcançar um mundo onde tudo seja perfeito. Pois, pela natureza finita do homem, a formação da vida é dolorosa e o seu caminhar também, até chegar ao último suspiro. Apenas cabe a cada indivíduo buscá-la, com base no melhor que a natureza humana nos deu, senão seremos nada mais que prisioneiros dos nossos próprios instintos e da primordialidade selvagem que ainda nos habita. Por isso, que a força que o povo gaúcho encontrou para contornar esta situação, foram  os INDIVÍDUOS, não foi uma organização estatal, foram simplesmente cada um dos brasileiros pelos gaúchos.

1:https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ultima-hora/pais/tiroteio-e-saques-sao-registrados-no-rs-em-meio-a-tragedia-de-inundacoes-1.3509446 Acessado em 06 jun. 2024, às 19:04.

2:https://www.terra.com.br/planeta/noticias/temporal-no-rs-nao-vamos-esperar-critica-prefeito-por-falta-de-helicoptero-para-resgate-de-vitimas,0fd821b0c54a9b8d57bb9a35ecdfc24as7cup356.html Acessado em 06 jun. às 19:15

3:https://www.correiobraziliense.com.br/holofote/2024/05/6853973-caminhoes-com-doacoes-ao-rs-nao-sao-retidos-por-falta-de-nota-fiscal-e-multas-por-excesso-de-peso-serao-anuladas-entenda-os-casos.html Acessado em 06 jun. às 19:12

4:https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/voluntarios-lamentam-ausencia-de-governos-no-resgate-e-salvamento-de-vidas-no-rs/ Acessado em 06 jun. às 19:21

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Alexis Nepomuceno

Aléxis é coordenador da Diretoria de Formação, tem 20 anos, é natural de Passo Fundo, cristão, estudante de Direito e estagiário de Direito Societário no Silveiro Advogados. Ingressou na Ordem DeMolay aos 15 anos, obtendo o reconhecimento de Past Mestre Conselheiro por Serviços Meritórios. Começou no movimento liberal ao adentrar à faculdade, inscrevendo-se no Students for Liberty em 2022, onde teve o primeiro contato com o Instituto Atlantos. Sempre nutriu interesse pela política e filosofia liberal, com o objetivo de contribuir para a construção de uma sociedade mais próspera, livre e enriquecedora, dedicando-se constantemente ao aprimoramento pessoal e empenhando-se na luta pela liberdade.

2 respostas “A tragédia do rio grande do sul”

  1. Análise perfeita! Uma visão holística em relação a tragédia e ao cenário apresentado. Toda essa análise e clarisciência proveniente de um jovem de vinte anos nos dias atuais permitem-me acreditar num país melhor e mais íntegro no futuro.

  2. Análise perfeita! Uma visão holística em relação a tragédia e ao cenário apresentado. Toda essa análise e clarisciência proveniente de um jovem de vinte anos me trazem esperança no futuro dessa grande Nação.

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