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Taxar o petróleo russo? O erro estratégico da OTAN e a ameaça à liberdade econômica global

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A recente declaração do secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, sugerindo que países que continuam comprando petróleo da Rússia deveriam ser penalizados por meio de taxação internacional, acende um alerta preocupante para liberais e defensores da ordem econômica global baseada em livre mercado e autodeterminação comercial.

Embora a guerra na Ucrânia tenha despertado legítima indignação internacional e demande sanções firmes contra o regime de Vladimir Putin, transformar o comércio de energia em campo de batalha ideológica, por meio de tarifas punitivas unilaterais, não apenas compromete os princípios do comércio internacional, mas também impõe um modelo autoritário de coerção econômica que contradiz a própria razão de ser do Ocidente democrático.

Sob o pretexto moral de “financiar a guerra”, Stoltenberg propõe uma medida que, na prática, viola a soberania de nações que fazem escolhas energéticas em função de sua realidade econômica, geográfica e política. Muitos países — especialmente no Sul Global — não possuem alternativas imediatas viáveis ao petróleo russo. Taxá-los arbitrariamente é penalizar populações inteiras por decisões geopolíticas tomadas a milhares de quilômetros de distância, em gabinetes blindados por retórica moralista.

O liberalismo clássico defende a liberdade de comércio como instrumento de paz, prosperidade e cooperação entre os povos. Taxações desse tipo impõem uma verticalização das relações internacionais, em que poucos blocos impõem regras unilaterais aos demais. Isso fere o multilateralismo, cria precedentes perigosos para futuras sanções políticas e abre espaço para um novo tipo de imperialismo normativo disfarçado de justiça global.

Além disso, medidas como essa favorecem a expansão de alianças paralelas ao Ocidente liberal, como BRICS e OPEP+, que se fortalecem justamente porque percebem nas pressões ocidentais uma tentativa de controle, e não de cooperação. A imposição de tarifas ideológicas empurra países neutros para orbitarem potências autoritárias — o exato oposto do que se pretende.

A guerra na Ucrânia deve ser combatida com inteligência, estratégia e respeito aos valores que o Ocidente diz defender: liberdade, soberania, escolha. Taxar países por exercerem sua autonomia comercial transforma a OTAN em uma espécie de cartório moral do mundo, arrogando a si o poder de definir o que é certo ou errado para todos os demais.

Não é papel de uma aliança militar — ainda que influente — criar regras fiscais internacionais com base em critérios políticos. O que está em jogo não é apenas o petróleo russo, mas o direito de cada país escolher seus parceiros comerciais sem sofrer coerção tributária. Ao sugerir esse tipo de penalidade, a OTAN se distancia do ideal liberal e flerta perigosamente com o autoritarismo econômico que tanto critica em seus adversários.

A liberdade econômica internacional não pode ser relativizada sempre que o Ocidente desejar promover sua agenda geopolítica. Se o objetivo é isolar a Rússia, que se invista em diversificação energética, acordos comerciais e inovação — não em tarifas punitivas e chantagens fiscais. Um mundo mais livre se constrói com abertura, e não com imposição.

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Juliana Antonelli

É uma defensora da liberdade e acredita que este é o único caminho para a construção de uma sociedade verdadeiramente livre e próspera. Atualmente e formada em Direito. Nas horas vagas, adora debater política, conhecer novos lugares, livros e escrita.

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