
A recente declaração da Netflix, responsabilizando o governo brasileiro pelo aumento das mensalidades devido à alta carga tributária, trouxe à tona uma verdade incômoda: o Estado brasileiro cobra como se fosse rico, mas entrega como se fosse falido. O caso, que à primeira vista poderia parecer uma simples disputa comercial, revela algo muito mais profundo — o modelo de país que sufoca a inovação e pune quem tenta prosperar fora da tutela estatal.
No Brasil, o Estado se comporta como um sócio voraz e improdutivo. Cobra caro, interfere muito e entrega pouco. As empresas de tecnologia, como a Netflix, são vítimas diretas de um sistema tributário que é não apenas complexo, mas deliberadamente confuso, servindo de barreira para a livre concorrência. Enquanto em economias liberais a inovação é incentivada por meio da desregulamentação e da redução de impostos, aqui o Estado atua como predador — travando o avanço tecnológico e, por consequência, o acesso da população a bens e serviços mais baratos e eficientes.
O setor digital, que deveria ser um motor de crescimento e modernização, é tratado como inimigo. O Brasil possui uma das maiores cargas tributárias do mundo sobre serviços digitais, com impostos federais, estaduais e municipais incidindo de forma cumulativa. Soma-se a isso a burocracia que exige das empresas o cumprimento de obrigações acessórias intermináveis, que drenam tempo e recursos. O resultado é previsível: menos competitividade, preços mais altos e uma fuga constante de investimentos para países que oferecem segurança jurídica e liberdade econômica.
Quando a Netflix afirma que o governo é responsável pelos reajustes, não está apenas se defendendo — está apontando para um problema estrutural. O Estado brasileiro se transformou em um obstáculo à prosperidade. Sua máquina inchada consome mais do que produz e, ainda assim, insiste em aumentar impostos sob o argumento de “justiça social”. No entanto, como ensinou Milton Friedman, “nenhum governo gasta o dinheiro de outra pessoa com o mesmo cuidado com que gastaria o próprio”. O que se vende como justiça, na prática, é ineficiência financiada pela produtividade alheia.
A retórica da “taxação das grandes plataformas” é sedutora, mas enganosa. O Estado pinta as empresas como vilãs para justificar sua própria ineficiência. Entretanto, é o cidadão — o consumidor comum — quem arca com o preço da tributação. Toda vez que o governo cria um novo imposto, o custo é repassado à sociedade. E cada aumento de preço representa menos acesso, menos liberdade de escolha e menos poder de decisão sobre o próprio consumo. O Estado se apresenta como protetor, mas age como usurpador.
Do ponto de vista liberal, o problema não está nas empresas que lucram, mas no governo que confisca. O lucro é o sinal de que algo está sendo produzido com eficiência, atendendo às necessidades das pessoas de forma voluntária e competitiva. Já o imposto excessivo é o símbolo de um Estado que se tornou dependente do esforço alheio. Como bem observou Frédéric Bastiat, “o Estado é a grande ficção pela qual todos tentam viver às custas de todos os outros”.
A reação popular ao posicionamento da Netflix é reveladora. Uma parcela crescente da sociedade começa a perceber que não há contradição entre defender o livre mercado e proteger o consumidor. Pelo contrário: é justamente o mercado livre que protege o consumidor, ao promover concorrência, qualidade e preços justos. O verdadeiro inimigo não é a empresa que inova, mas o Estado que tributa, regula e interfere até transformar o ato de empreender em um campo minado jurídico.
Se o Brasil deseja se tornar um país inovador, precisa abandonar a mentalidade coletivista que enxerga o sucesso econômico como algo suspeito. É urgente uma reforma tributária liberal, que simplifique o sistema, reduza o peso do Estado e devolva ao cidadão o controle sobre o fruto do próprio trabalho. Mais do que isso, é necessária uma mudança cultural, que valorize a liberdade individual e a responsabilidade pessoal como fundamentos da prosperidade.
A fala da Netflix, portanto, cumpre um papel pedagógico. Ela nos lembra que, em um país onde o Estado é voraz e ineficiente, até o lazer se torna um privilégio tributado. O futuro do Brasil não depende de mais impostos ou de mais Estado, mas de menos interferência e mais liberdade. Quando o governo aprende a sair do caminho, a inovação floresce. E é nesse momento que a sociedade inteira começa a ganhar.

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