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A Liberdade de Expressão só Vale para os Alinhados

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A recente e caótica passagem do deputado Kim Kataguiri pela DiaTV foi muito mais do que um episódio de fofoca da internet. Foi um teste de maturidade democrática, e a elite criativa do canal desabou de forma estrondosa. O que estava programado para ser um simples exercício de pluralidade ideológica revelou, sob a pressão das redes sociais, o verdadeiro e inaceitável temperamento de quem grita por tolerância, mas se desespera diante de um pensamento divergente.

A DiaTV, um canal digital com quase um milhão de inscritos e focado no público LGBTQIA+, decidiu, em uma atitude que muitos esperariam ver de veículos de imprensa convencionais, convidar um político de direita para conversar. O “Simplificando Entrevista”, apresentado por Gui Sampaio, foi desenhado para trazer diferentes espectros políticos para a roda de debate. Era a materialização do conceito liberal de liberdade de expressão: a ideia de que as melhores soluções surgem do confronto de ideias, não do silenciamento delas.

No entanto, a presença de Kim Kataguiri (do partido Missão) no estúdio acionou um pânico moral imediato. A apresentadora Wanessa Wolf, que faz parte do elenco, veio a público classificar o deputado como um “ser desprezível” e questionar por que a emissora estaria “cedendo espaço” para alguém com pautas conservadoras . Outras grandes figuras do canal, como Lorelay Fox e a dupla Diva Depressão, somaram suas vozes ao coro de desaprovação .

O que chama a atenção aqui não é o direito de discordar. O problema fundamental é a confusão deliberada entre um “espaço seguro” (onde minorias devem ser protegidas de assédio e discriminação) com um “espaço de conforto” (onde as ideias predominantes não devem jamais ser questionadas). Quando o CEO da DiaTV, Rafa Dias, e o próprio entrevistador recuaram, pedindo desculpas à “comunidade” por ter ofendido os ouvintes , eles demonstraram a falência de sua própria retórica. Gui Sampaio confessou que o “erro” foi não ter feito “combate” durante a entrevista , revelando que a função do debate, para ele, era inquisitória, não informativa.

É irônico que a DiaTV tenha criado a DiaTV. A emissora construiu sua audiência prometendo acolhimento, mas quando convidada a mostrar que sabe escutar, preferiu bater a porta na cara de quem pensava diferente.

Kim Kataguiri, com sua habitual postura combativa, respondeu de forma magistral. Em nota pública, ele destacou: “Uma parte do seu público é extremista e intolerante e agora está tentando cancelar o programa, o canal e o apresentador. Tudo porque os produtores cometeram o crime de convidar um político de direita para conversar” . Ele publicou a entrevista completa, provando que não tinha nada a esconder.

Como liberal, é difícil não se revoltar com essa postura autoritária disfarçada de progressismo. A esquerda moderna, em suas facções midiáticas, caiu em um fundamentalismo perigoso. Acreditam que a única forma de proteger suas pautas é apagando o outro lado do debate. Mas liberdade de expressão não é a garantia de que todos pensarão como nós; é a garantia de que todos poderão falar, e nós poderemos discordar.

Se a diversidade de pautas é o pilar da inclusão, por que a diversidade de ideias é tratada como afronta? Criadores de conteúdo que exigem palanques amplos para suas visões, mas incitam o cancelamento de quem convida seus oponentes, revelam que seu compromisso com a democracia é puramente estético.

A verdadeira inclusão exige coragem, e o que vimos na DiaTV não foi a coragem de enfrentar o dissenso, mas a covardia de uma classe que, sob o pretexto de acolhimento, pratica a exclusão intelectual. A menos que esses influenciadores aprendam a lidar com a contradição, não passarão de tiranos de nicho, governando seus reinos digitais com a mesma rigidez que dizem combater.

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Juliana Antonelli

É uma defensora da liberdade e acredita que este é o único caminho para a construção de uma sociedade verdadeiramente livre e próspera. Atualmente e formada em Direito. Nas horas vagas, adora debater política, conhecer novos lugares, livros e escrita.

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