
O preço na bomba reflete décadas de corrupção e ineficiência na Petrobras, mantida sob controle estatal para sustentar interesses privados que historicamente aparelharam a companhia com o “patético discurso” de proteger a soberania nacional. “O fato é que nenhuma potência líder do sistema capitalista tem monopólio de petróleo”, sustenta Roberto Campos.
Segundo Campos, o monopólio estatal “é irrelevante e até mesmo negativo para a segurança nacional, pois reduz o volume potencial de investimentos e coloca o país à mercê das decisões de um único investidor, que pode errar”. A administração da estatal vem acumulando uma série de erros grotescos, como comprar metade de uma refinaria em Marialva, Paraná, por R$ 55 milhões, embora um grupo privado a tivesse adquirido por R$ 37 milhões dois meses antes.
A administração, além da corrupção, demonstra extrema ineficiência, como no famoso caso da compra da Refinaria de Pasadena, em Houston, no Estado do Texas, que custou “incríveis US$ 1,2 bilhão ao Brasil”. A refinaria necessitaria de ainda mais investimentos para se tornar produtiva, razão pela qual a solução aventada era a venda por US$ 42,5 milhões para a Astra Oil.
São incontáveis os casos de superfaturamento. “No caso de Abreu e Lima, o TCU apontou indícios de superfaturamento de R$ 96 milhões e sobrepreço de R$ 121 milhões em serviços de terraplenagem.” O custo estimado da refinaria seria de US$ 2,3 bilhões; entretanto, já ultrapassou US$ 20 bilhões e a obra ainda não está pronta. Entre 2004 e 2012, a Petrobras registrou perdas de R$ 88,6 bilhões, fruto de corrupção e ineficiência.
A construção do Trem 2, com o objetivo de refinar o petróleo bruto da Venezuela, foi um dos grandes percalços da obra: após os prejuízos registrados, o Governo Chávez saiu do negócio e deixou o problema para a Petrobras.
Em outro caso, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, informou à Polícia Federal que negociou 21 contratos para a construção de navios-sonda de perfuração em alto mar, no valor de US$ 22 bilhões, com 1% de propina destinada a integrantes do PT.
A corrupção e a ineficiência na gestão da estatal não param por aí, os exemplos são intermináveis, e o reflexo aparece para os brasileiros na bomba de combustível todos os dias. A propósito, até mesmo o preço da comida no Brasil reflete essa ineficiência e o custo da corrupção, tendo em vista que o custo logístico é diretamente afetado pela variação no preço do diesel.
A Operação Lava-Jato, por algum tempo, conseguiu prender grandes políticos e empresários. No momento em que a Polícia Federal foi prender o senador e líder do governo Delcídio do Amaral, ele questionou: “Isso pode ser feito com um senador no exercício do mandato?”, ao que Sergio Moro respondeu que “nunca havia acontecido antes”.
O combate à corrupção durou pouco. Logo o Supremo Tribunal Federal desarticulou toda a operação e anulou as condenações de seus aliados políticos. Hoje, as empresas condenadas são reempossadas no canteiro de obras: as vencedoras das licitações da Refinaria Abreu e Lima foram subsidiárias da Andrade Gutierrez e da Novonor (antiga Odebrecht).
A gasolina cara no Brasil não é acaso nem resultado de fatores internacionais. O preço elevado reflete décadas de má gestão e aparelhamento político da estatal. Enquanto a Petrobras exercer monopólio petrolífero e permanecer vulnerável à interferência partidária, o consumidor continuará pagando a conta dessa estrutura ineficiente. Reduzir o peso político sobre a companhia e ampliar a concorrência no setor não é apenas uma agenda econômica — é uma medida necessária para proteger o bolso do brasileiro e garantir segurança energética real ao país.

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