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Correios: O Rombo Bilionário e o Fardo do Contribuinte

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A recente tentativa dos Correios de obter um empréstimo de R$ 20 bilhões para “reequilibrar as contas” e “modernizar a empresa” escancara, mais uma vez, o custo da ineficiência estatal no Brasil. Com doze trimestres consecutivos de prejuízo e um déficit que quadruplicou em 2024, alcançando R$ 2,5 bilhões, a estatal confirma o diagnóstico que economistas liberais vêm fazendo há décadas: empresas públicas, quando submetidas à lógica política em vez da lógica de mercado, tornam-se máquinas de desperdício e cabides de emprego.

Criados sob o ideal de garantir “serviços essenciais ao povo”, os Correios se transformaram em mais um caso de captura política e ineficiência estrutural. O problema não está apenas no rombo financeiro — está na própria concepção de um modelo em que o Estado insiste em operar onde o setor privado é naturalmente mais eficiente. Cada vez que o Tesouro é chamado a socorrer a estatal, transfere-se para o contribuinte o preço da má gestão e da falta de coragem política para enfrentar interesses corporativos.

A retórica de que os Correios são “estratégicos” para o país serve, há anos, como escudo ideológico para evitar a privatização. No entanto, o que é verdadeiramente estratégico para a sociedade não é a manutenção de monopólios ineficientes, mas a garantia de serviços de qualidade e sustentáveis sem drenar recursos públicos. A experiência internacional mostra isso claramente: países como Alemanha e Reino Unido privatizaram seus serviços postais ainda nos anos 1990, e hoje contam com empresas lucrativas, tecnologicamente avançadas e competitivas — o oposto do cenário brasileiro.

Em vez de enfrentar as causas do problema — o excesso de burocracia, os privilégios trabalhistas e o peso da interferência política — o governo prefere recorrer ao velho expediente do endividamento estatal. Esse “empréstimo” de R$ 20 bilhões é, na prática, um resgate disfarçado, garantido pelo Tesouro Nacional, ou seja, pelo bolso do cidadão comum. Trata-se de uma escolha política travestida de gestão: salvar uma estrutura falida com dinheiro público em vez de abrir espaço para o dinamismo do mercado.

A oposição e parte da sociedade civil têm razão ao pedir uma auditoria independente sobre a real situação financeira dos Correios e sobre os responsáveis pela deterioração das contas. Mas a discussão não pode se limitar à identificação de culpados — é necessário repensar o papel do Estado na economia. Continuar a sustentar estatais deficitárias em nome de um nacionalismo romântico é condenar o país a repetir os mesmos erros que o mantêm estagnado há décadas.

Um Estado inchado, que se ocupa de distribuir cartas e encomendas enquanto falha em garantir educação, segurança e saúde de qualidade, é a antítese da boa governança. A lógica liberal — muitas vezes caricaturada por seus detratores — não é “entregar tudo ao mercado”, mas devolver ao Estado sua função essencial: fiscalizar, regular com equilíbrio e garantir liberdade econômica para que o setor produtivo prospere.

O Brasil não precisa de um Estado empresário — precisa de um Estado responsável. A cada bilhão destinado a tapar o buraco de uma estatal ineficiente, menos recursos sobram para o investimento em infraestrutura, inovação e políticas sociais eficazes. O empréstimo aos Correios, se aprovado, não será um gesto de modernização, mas um ato de perpetuação da mediocridade administrativa.

Em última instância, o debate sobre os Correios é um teste de maturidade política: queremos um país que continue a premiar o fracasso com dinheiro público, ou que finalmente tenha coragem de adotar um modelo baseado em eficiência, concorrência e mérito? A resposta definirá não apenas o futuro dos Correios, mas a própria capacidade do Brasil de abandonar o ciclo vicioso de desperdício e dependência estatal.

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Juliana Antonelli

É uma defensora da liberdade e acredita que este é o único caminho para a construção de uma sociedade verdadeiramente livre e próspera. Atualmente e formada em Direito. Nas horas vagas, adora debater política, conhecer novos lugares, livros e escrita.

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